Deveria ter escrito este texto ontem (01/05/2011), mas por fraqueza não pude.
Contarei uma história que eu vivi, e que muitos viveram, mas poucos terão acesso a esta página.
Dia 1º de maio do ano 2000, estávamos em um retiro espiritual em Aruanã, na chácara dos pais de uns amigos, comemorando o 2º aniversário do nosso grupo de jovens.
Dia lindo, soleado, rodeados de gente santa. Tinha tudo, absolutamente tudo para ser perfeito.
Partilhas, pregadores, gincanas, um dia especial.
Houve um momento em que fizeram uma pequena prova de Física, não lembro muito bem do que estávamos falando, mas o pregador pegou um copo com água e o virou, de modo que a água caiu no chão, bem juntinho dos seus pés.
Então o pregador perguntou, com o microfone nas mãos, por que não acontecia nada. Então um jovem, José Henrique, disse que era porque o sapato do pregador era de borracha, e a borracha não é condutora de eletricidade (questão óbvia). Então o pregador disse: - Deus precisa de jovens como você, meu amigo!
Bom, fomos almoçar, todos rindo, brincando, passamos uns dos momentos mais especiais que um grupo de amigos podem passar.
Terminamos o almoço, nos chamaram para rezar o terço antes da hora de lazer. Rezamos, por um momento nos sentimos especiais.
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| 1º de maio de 2000. Aruanã-Goiás |
Chegou nosso momento de lazer, alguns foram jogar futebol (¬¬'), outros a passear pela chácara e os outros foram a banhar no rio que corria no fundo da chácara.
Alí todos zuando, porque ninguém tinha um corpo digno de capa de revista, hehe, até me encontraram para fazer uma pequena brincadeira com o José Henrique e nos colocaram um ao lado do outro de perfil para os demais que estavam alí para falarem que nós tinhamos os maiores bumbuns do retiro (naquela época, nós parecíamos raspas de sardinha de tão magros).
No meio do rio tinha uma pedra enorme, então decidimos ir até lá, para passar o tempo. Fomos duas primas minhas, eu, o José Henrique, dois primos dele e seu irmão.
Passamos um tempo alí e estávamos conversando, então olhamos para trás e tinha uma parte da pedra que era oca, então ele me disse que se alguma pessoa caísse nesse oco, a possibilidade de sair era quase impossível, porque tinha muita correnteza.
Passado os minutos, nos chamaram para arrumar nossas coisas que voltaríamos para casa.
Então o que aconteceu, o José Henrique me levou de cavalinho porque eu não sabia nadar muito bem (até hoje eu não domino essa técnica, mas estou melhorando), o primo dele levou minha prima maior e o irmão dele levou minha prima menor.
Quando cheguei na beira que já podia colocar os pés no chão, então ele voltou para ajudar o irmão que estava afogando com minha prima, já que o pânico se apoderou dela.
Conseguiu colocar minha prima comigo e infelizmente ela estava semi-inconsciente, e me deixou fazendo um boca-a-boca e foi buscar o irmão, e quando os dois estavam à salvo, o primo dele notou que ele não tinha saído da água.
Começou nosso pesadelo, uma luta contra o tempo.
Chamamos a todos que estavam alí que nos ajudassem a encontrá-lo.
Nesse dia conseguimos convencer a dois amigos que nunca tinham ido a um retiro que nos acompanhassem e experimentassem o Amor de Deus. E a coincidencia mais injusta do mundo, foi um deles quem encontrou o corpo do José Henrique, que tinha pulso mas não reagia.
Contávamos com a presença de uma amiga que também é enfermeira e foi quem deu os primeiros auxílios para salvar a vida do Jú, que era como nós o chamávamos.
Levaram-o para o hospital, e nós ficamos na chácara esperando notícias.
E chegaram...
E foi a pior notícia que poderíamos receber, porque essa alma já estava com Deus, e nunca mais veríamos ao Jú com a gente, seu sorriso e seu jeito moleque de viver nunca mais seria visto.
E a pior parte de tudo isso seria chegar em Goiânia e explicar à sua mãe, que nos tinha a todos como sobrinhos, que seu primogênito nunca mais estaria com nós.
Meu Deus, pensei que esse dia nunca terminaria, nunca vi tanta tristeza, nunca me senti tão impotente...
E só Deus sabe o que dói aqui dentro ainda, e todas as lágrimas que eu já derramei e continuarei derramando todos os 1º's de maio que existirem.
Hoje, 2 de maio, pensei que não me deixaria levar pela debilidade para escrever aqui, mas sinto muito meus amigos, mas eu sou frágil, e tenho um nó na garganta que nunca vai partir.
Sei que Deus está feliz, porque tem ao Seu lado uma pessoa maravilhosa, que amou e viveu segundo Seus Mandamentos, e nada mais importa.
Peço à Ele que me dê forças para suportar cada ano que passa, e que me dê mais forças para poder lembrar desse dia e não chorar mais.
Por enquanto só posso esperar...
Deixo aqui um vídeo de uma música linda, que todos conhecem e que cantamos no velório do nosso grande amigo!


que Deus o tenha em bom lugar!
ResponderEliminarE sempre estará!
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